segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Passagem, 11 - Crianças

Sinto essa resistência suave que espreita os olhares e as palavras; não incomoda, até dá um certo charme a tudo. Por motivos diferentes, em momentos diferentes, em lugares comuns, mas por pensamentos semelhantes, idéias que nos circulam, gargalhadas por simplicidades, temores em comum, ansiedades em comum, por causas quase que contrárias, palavras que confortam, mesmo que sejam eufemismos de desejos incontroláveis, e que enfeitam a conexão entre esses corpos. E, por vezes, penso no porquê, no porquê da época e da situação, outro ponto de vista, as mesmas pessoas, e não dá pra entender - talvez, porque não seja para entender ou, melhor ainda, porque não deva ter um porquê.

- Quem sabe essa resposta não roubaria toda essa magia que permeia esses dois?

Pode ser uma grande prova, um teste de realidades e impulsos e, esses, meu caro, são o que nos movem e mantém. Um sábio já disse, uma coisa é querer, outra é fazer.



E assim os dias passam e, será que alguns desses porquês mirabolantes virão à tona? O que será dessa terra, de suas mentes, quando cumprirem o que têm relutado de forma charmosa e recusável, tão excitante que os impede de parar e colocar o solitário ponto final em tudo? Não dá pra saber. O chão pode tremer, sim, pode e acho que vai, mas também pode consumir tudo, sugar tudo ao seu redor, eles inclusive e a grande magia, a brisa que vem de longe, essa pode ir embora.

Mas, sabe do que? Eles estão cientes disso, não são mais crianças e, talvez, esse seja o grande problema.

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