sábado, 12 de abril de 2014
Passagem, 22
- Costa branca, eu pensava que entendia o que queria de tudo, que sabia o que sentia de tudo, que era o que queria de tudo, do todo, mas na verdade, não sabia porra alguma. Tive tantos planos, vontades e gostos que se perderam por aí, em alguma esquina desse mundo que falta tanto a conhecer. Ainda escrevo algumas palavras sobre a vida, mas de onde estou a visão é um pouco turva e me confundo bastante, há neblina por todos os lados. Tenho acompanhado sua vida, sigo sutilmente e de maneira autorizada muitos de seus passos, sendo que alguns me entristecem e fazem pensar no quanto somos peças do todo, no quanto o impulso é barrado e precisa, por vezes, ser "liberto". E isso não faz sentido algum nesses dias de mente enlouquecida, controlar um ímpeto seria o mesmo que autorizar ou não um vulcão a explodir seu fogo incandescente pelos céus.
E nesse tempo, tenho visto que muitas coisas, na verdade, são assim.
- Olho você e vejo reflexos meus; as palavras dançam de uma forma simétrica e completam-se sem querer. As mãos e os corpos se arriscam, mas não se encontram como desejam. E eu vivo o que vivo. Você vive o que vive.
- Costa branca, as areias que imaginava um dia dançarem abaixo de nossos pés, hoje dançam frente a meus olhos em forma de tempestade. Esfrego e esfrego, lágrimas escorrem, mas é difícil enxergar. Por alguns instantes a nuvem abaixa e o sol alcança meus olhos como bálsamo que acalenta o ardor e sinto seus dedos macios passando pelo meu rosto. E não são os dedos dessas mãos, Costa branca, que toco em alguns desencontros cuidadosos, são os dedos de um desejo poético - são dedos de areia.
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