Ela uivava alto, de uma forma nunca percebida antes. A terra tremia, o vento corria seco, cortante e áspero. Ela não tinha saliva, a boca seca e amarga, não entendia o mundo ao redor e a música tocava alto, shoegaze embaçado e amarrotado, mas ela gostava. My bloody valentine marcou um filme fantástico que assistira uma vez, lost in translation, o bom e velho Bill Murray em seu auge. As pessoas têm um auge, são como os grandes impérios, saem do nada, crescem e a queda vem, uma hora ou outra, mas no momento do estrelato, com as luzes fortes no céu, nada atrapalha. O presente é esquecido, não é desfrutado como deveria, pois o corpo não se contenta, coisa de gente, a luz parece só iluminar o futuro e as possiblidades do maior e do crescimento, o poder seduz e o tudo parece sempre nada e nada. O sapato estava apertado, mas tudo bem, ela só queria curtir o copo de cerveja quente, o shoegaze barulhento e sujo, como tudo em sua volta, as pessoas bêbadas e sorrindo, o cheiro de cigarro e poeira, a meia luz do bar, todos falando, todos gritando, todos gemendo. Ela observava.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Passagem 35 - shoegaze
Ela uivava alto, de uma forma nunca percebida antes. A terra tremia, o vento corria seco, cortante e áspero. Ela não tinha saliva, a boca seca e amarga, não entendia o mundo ao redor e a música tocava alto, shoegaze embaçado e amarrotado, mas ela gostava. My bloody valentine marcou um filme fantástico que assistira uma vez, lost in translation, o bom e velho Bill Murray em seu auge. As pessoas têm um auge, são como os grandes impérios, saem do nada, crescem e a queda vem, uma hora ou outra, mas no momento do estrelato, com as luzes fortes no céu, nada atrapalha. O presente é esquecido, não é desfrutado como deveria, pois o corpo não se contenta, coisa de gente, a luz parece só iluminar o futuro e as possiblidades do maior e do crescimento, o poder seduz e o tudo parece sempre nada e nada. O sapato estava apertado, mas tudo bem, ela só queria curtir o copo de cerveja quente, o shoegaze barulhento e sujo, como tudo em sua volta, as pessoas bêbadas e sorrindo, o cheiro de cigarro e poeira, a meia luz do bar, todos falando, todos gritando, todos gemendo. Ela observava.
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